2025: Resistência e contra-ataque.

Neste artigopublicado em Esquerda.net, Manuel Afonso fala destes tempos que nos tocou vivir, uns tempos nos que a primeira tarefa da esquerda é a resistência: “…não nos enganemos: os tempos são de dura ofensiva do capital e resistência das esquerdas. Contudo… não percamos o norte: resistimos para passar ao ataque, atacaremos para vencer. Sem lutar para virar o jogo, não daremos um passo em frente.

 Uma parte cada vez maior das classes capitalistas aposta neste projeto: acabar de vez com o Estado social, rebaixar os salários ao mínimo, esmagar qualquer luta por direitos, para competir com inimigos e aliados, à escala global, no terreno económico e militar. Exploração, catástrofe ecológica e guerra sem limites, capitalismo em Estado puro.

O eixo estratégico da esquerda neste momento defensivo é, assim, construir alianças: unidade para lutar. É preciso mudar o chip, divididos seremos derrotados. Há, contudo, diferentes tipos de convergências. Umas são táticas – pontuais e marcadas pela flexibilidade –, outras são estratégicas, pois definem o campo da resistência social e as possibilidades de contra-ataque. É pela estratégia que devemos começar, pois ela define as tarefas centrais. Alianças duradouras que impedem o contra-ataque boicotam a própria resistência. Por isso, a Frente Única da esquerda e dos trabalhadores, – a aliança das forças políticas, sociais e sindicais que representam as classes trabalhadoras – emerge como a orientação que permite lutar para vencer. É a partir dela que alianças conjunturais, táticas, podem ser tecidas, desde que não contra ela.

Não sabemos o tempo que demorará a atual fase defensiva a ser superada. Se dará lugar a um recuo maior – a um longo Inverno contrarrevolucionário – ou se será superada por um impulso ascendente das classes trabalhadoras, não está ainda decidido – é, na verdade, esse o terreno da disputa hoje. Sabemos, sim, que vivemos uma aceleração dos tempos políticos. Uma fase defensiva não significa passar uma década entrincheirados contra o fascismo; antes devemos esperar sucessivos avanços e recuos, mudanças bruscas, uma sucessão de conjunturas específicas que implicam mudanças na política – ainda que sob um signo geral defensivo e uma orientação global de Frente Única. Que não nos enganemos: os tempos são de dura ofensiva do capital e resistência das esquerdas. Contudo, que não percamos o norte: resistimos para passar ao ataque, atacaremos para vencer. Sem lutar para virar o jogo, não daremos um passo em frente.

Ligação: https://www.esquerda.net/opiniao/2025-resistencia-e-contra-ataque/93429

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